Vitória: 2020 traz quatro vezes mais pessoas trans eleitas que em 2016

De acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), em 2020 foram eleitas 30 pessoas trans e sete se destacaram em suas cidades como as mais votadas

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Por Igor Thawen, especial para o Mídia Queer

Linda Brasil (PSOL/SE) é a mulher mais votada de Aracaju com mais de 5 mil votos

Há quatro anos, o número era menor: oito candidatas trans chegaram às Câmaras Municipais. Agora, em 2020, foram eleitas 28 travestis e mulheres trans e dois sujeitos transmasculines para o legislativo das cidades. Um crescimento de 275%.

O recorde de membros da comunidade trans eleitas também reflete o significativo aumento no número de postulantes. Se em 2016 eram 82 membros da população trans candidatos, sendo 80 lutando por vagas de vereadoras e duas candidaturas buscando ocupar o cargo de prefeita, no pleito atual esse número saltou para 294 pessoas pelo país, com duas postulantes à prefeita, uma à vice-prefeita e 293 à vereança. Os dados são da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e mostram uma ampliação de 226% no número de postulantes. Este é o dado mais atualizado de levantamento que a organização realiza desde os resultados divulgados em 15 de novembro.

Linda Brasil (PSOL/SE) foi eleita a primeira mulher trans vereadora de Aracaju, sendo a mais votada entre todos os candidatos ao cargo municipal da cidade, somando 5.773 votos. Ela está entre as sete mulheres mais votadas nas capitais brasileiras. Linda havia sido candidata à vereadora em 2016 e deputada estadual em 2018, mas não foi eleita.

“Esse resultado veio dizer que é possível essa construção. Chegou no momento certo, estou me sentindo mais preparada e mais consciente do meu lugar nesse espaço para trazer mais transformações. Até hoje a ficha não caiu de que fui a mais votada, mas estou aproveitando essa visibilidade e os espaços que estou tendo na mídia para levar informação e conhecimento às pessoas sobre a importância do empoderamento e da gente ocupar esses espaços da sociedade. E não ocupar simplesmente por ocupar, mas para pautar transformações, porque esses espaços sempre foram construídos em uma lógica patriarcal, misógina e LGBTfóbica”, justifica a aracajuense.

As Câmaras Municipais estão mais coloridas!

Tieta Melo (PSOL), Lorim da Valéria (PDT), Dandara (MDB), Paulette Blue (PSDB), Duda Salabert (PDT), Titia Chiba (PSB) e Linda Brasil (PSOL) configuram as sete mais votadas nas suas cidades, sendo duas em capitais. O único homem trans eleito em uma capital brasileira foi Thammy Miranda (PL/SP), recebendo 43.321 votos, com o apoio da jornalista trans Leonora Áquila.

O partido político que mais elegeu pessoas trans foi o PSOL, somando 6 candidatas eleitas.

Das 30 pessoas trans eleitas para a vereança, 17 são brancas, representando 57% e 13 são negras, somando 43%

São Paulo foi o estado que mais elegeu candidatos trans, com 16 nomes, trazendo também um recorde de votação, sendo Erika Hilton (PSOL/SP) a mulher mais votada da cidade. Minas Gerais e Rio Grande do Sul tiveram cada um três pessoas trans eleitas.

“Somos a primeira, mas não seremos as únicas e últimas. Espero que esse resultado estimule que muitas outras pessoas trans possam construir e ocupar esse espaço e provoque transformações reais na sociedade”, acrescentou Linda Brasil.

Com informações do Gênero e Número

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