Entre veto e liberação, Globo evidencia que beijo homoafetivo ainda é tabu

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Foto: Reprodução/TV Globo

A tão aguardada cena de beijo entre Clara (Regiane Alves) e Helena (Priscila Sztejnman) foi finalmente gravada pela Globo na última segunda-feira (12) para a novela “Vai na Fé”. Dessa vez, ao contrário das duas ocasiões anteriores em que a sequência foi vetada, ela será exibida no capítulo 135, previsto para a próxima semana. Embora seja motivo de comemoração a liberação, é preocupante constatar que o assunto voltou a ser tratado como tabu na emissora.

O corte vai na contramão do que a emissora fez há dez anos, quando “Amor à Vida” (2013) entrou para a história da dramaturgia ao exibir o primeiro beijo entre homens das novelas brasileiras em pleno horário nobre. Até mesmo em “Malhação” foram apresentadas cenas de beijo homoafetivo. No entanto, com o veto em “Vai na Fé” e na série “Aruanas”, percebe-se que demonstrações de afeto desse tipo voltaram a causar desconforto em alguns setores da emissora.

Em sua monografia “Homossexualidade na Telenovela América: O veto do beijo”, o pesquisador Hugo Hander analisa o ocorrido em 2005, quando a novela “América”, escrita por Gloria Perez, prometia exibir o primeiro beijo gay no horário nobre. No entanto, a cena foi vetada pelo canal horas antes de ir ao ar. Hander avalia que “os valores que o ‘beijo gay’ traz consigo foram espetacularizados por um discurso de inclusão, mas acabaram sendo excluídos no final”. Ele acrescenta que “o silêncio da imagem do beijo prova que os meios de comunicação de massa mantêm o discurso heterossexual em vigor, abordando a temática homossexual e seus fatores na teoria, mas excluindo na prática como uma afronta à normalidade”.

Enquanto cenas de sexo mais intensas envolvendo atores com pouca roupa são prontamente aceitas, um simples beijo agora requer uma liberação nos bastidores. Isso é um retrocesso evidente e, mesmo que os fãs fiquem felizes com o momento na novela das sete, é importante continuar questionando a necessidade dessa restrição. Isso não apenas indica que o tabu foi mantido, mas também que o preconceito continua presente quando se trata de personagens LGBTQIA+.

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